13/03/2012 09h54 – Atualizado em 13/03/2012 09h54
Fonte: O Progresso
Apenas onze das 79 cidades de Mato Grosso do Sul cumprem integralmente o Piso Nacional que garante um salário de R$ 1.451,00 por uma jornada de 40 horas semanais e hora-atividade de 1/3. A paralisação nacional de três dias, de amanhã a sexta-feira, tem como objetivo chamar atenção da população e também sensibilizar os governantes para que cumpram a Lei Federal 11.738 (Lei do Piso), aprovada em 2008.
A base sindical dos trabalhadores em educação quer mobilizar 100% das escolas públicas de Mato Grosso do Sul para a paralisação nacional. Em Dourados são aproximadamente 100 escolas, incluindo os Centros de Educação Infantil (Ceim) que podem ter suas atividades interrompidas, a partir de quarta-feira, segundo o Sindicato Municipal dos Trabalhadores em Educação (Simted).
A vice-presidente do Simted, Gleice Jane Barbosa, explica que a paralisação é um movimento nacional que acontece todos os anos. No entanto, desta vez, o objetivo é ampliar para três dias, por conta do Piso Nacional. A Lei Federal prevê piso salarial aos professores com carga horária de 40 horas semanal. Mas a classe luta para que o piso seja implementado para 20 horas semanais. Em Mato Grosso do Sul, a maioria das cidades mantém um piso salarial próprio e hora-atividade de ¼. Uma das lutas dos professores destas cidades é ao menos mudar a hora-atividade para 1/3. Cinco cidades de MS nem sequer oferecem piso salarial para os trabalhadores em educação. O maior piso é de R$ 2.067,00, pago na cidade de Caracol e o menor em Jardim, que oferece R$ 1.033,00, conforme mostra a tabela da Federação dos Trabalhadores em Educação (Fetems).
A paralisação dos professores também visa melhorias para a educação, com a aprovação Plano Nacional de Educação (PNE). O projeto contém 20 metas para otimizar a educação pública para ser cumprido pelos governantes nos próximos dez meses. Outros objetivos é a garantia da carreira e a destinação de 10% do Produto Interno Bruto (PIB) para o PNE.
De acordo a vice-presidente do Simted, muitos pais podem criticar a paralisação uma vez que as aulas serão interrompidas nas escolas e nos Ceims. “Mas há de considerar que nossas lutas não contemplam apenas os profissionais da educação, mas também todos os alunos da rede pública, já que queremos uma educação melhor, com mais qualidade”, destacou.
PROGRAMAÇÃO
Na noite de ontem, na Câmara de Vereadores de Dourados, profissionais da educação participaram da sessão para falar da paralisação nacional e pedir apoio da sociedade.
Nos três dias de paralisação, o Simted de Dourados fez uma programação que começa na quarta-feira com uma passeata na região central da cidade. A concentração será às 8h, em frente ao Fórum. Na quinta-feira, a manifestação será em Campo Grande, onde vão se reunir todos os sindicatos dos profissionais de Educação de Mato Grosso do Sul. No último dia de paralisação, o Simted vai realizar uma seminário, a partir das 18h, na Câmara Municipal para discutir o piso, carreira e PNE.
“Esperamos a participação da população, sobretudo dos pais dos alunos, pois a nossa luta é para melhoria de toda a educação”, destacou Gleice Jane.

