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sexta-feira, 15 de maio de 2026

Em Amambai, cultura necessita de mais atenção

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15/06/2012 11h20 – Atualizado em 15/06/2012 11h20

Fonte: Raquel Fernandes/Correio do Cone Sul

“Não agüento ser apenas um sujeito que abre portas, que puxa válvulas, que olha o relógio, que compra pão às 6 horas da tarde, que vai lá fora, que aponta lápis, que vê a uva etc. etc. Perdoai mas eu preciso ser outros. Eu penso renovar o homem usando borboletas.”

O trecho acima faz parte da poesia do artista de nossa região, o poeta Manoel de Barros. Versos que retratam não só o desejo do escritor mato-grossense de valorizar a arte e a sensibilidade, como a de muitos artistas, apreciadores e incentivadores da cultura local. Em Amambaí existem algumas entidades, como a Associação Cultural Amambaiense e a Casa Paraguaia que diariamente se dedicam no resgate e no fortalecimento da chama cultural da Cidade Crepúsculo.

Nota-se em Amambai uma insatisfação por parte dos moradores, com relação aos eventos e ações realizadas de cunho cultural. “As pessoas já estão achando que evento cultural é só os shows de duplas sertanejas. Sem exageros, mas ultimamente, é só o que acontece. Precisamos de mais incentivo na cultura. Amambai parece parar cada vez mais nessas questões.”, opina o amambaiense e professor Diogo Antunes.

A atriz e professora de teatro, Alessandra Tavares, há um ano e meio ministra oficinas de teatro em Amambai, por meio da Fundesc (Fundação de Desporto e Cultura) e conta que no início do projeto teve dificuldades devido à escassez de estrutura e ações que existiam para as artes cênicas no município. No entanto, Alessandra comemora que pouco a pouco o cenário tem melhorado e que os resultados das oficinas têm sido cada vêz mais positivos.

“No começo foi um pouco complicado. Eu vim de São Paulo, não tinha tentado nada lá, ate então, porque eu vim mesmo com esse projeto. Quando eu fui contratada pela prefeitura seria uma oficina de quatro meses, mas como a resposta foi bacana, depois do primeiro espetáculo, o prefeito me chamou e disse que foi positivo e que ele queria novamente no ano de 2011. E esse ano também, ele disse que até pelo menos o final do seu mandato quer que eu continue” comemora Alessandra

Alessandra ressalta que a cultura do município possui uma grande riqueza que tem sido pouco explorada. “O pessoal da Fundesc está sempre organizando ações e eventos de cultura popular, já a cultura regional é o pessoal da associação [Cultural Amambaiense] que tem fortalecido. Acredito que poderia ser trabalhado mais a questão da cultura regional.”

Festival de Música

Entre as reclamações da população de Amambai, em especial, a da classe artística, o fato de não ter sido realizado mais o Festival de Música de Amambai (Festibai) na atual gestão municipal gera muitos descontentamentos. Cantores e músicos de todas as idades participavam do festival anualmente.

A diretora-presidente da Fundesc, Jaqueline Raymundo, explica que o Festival foi retirado do calendário de eventos devido à necessidade da contenção de gastos.

“A gente fez um orçamento logo no início da administração e era uma época que estávamos nos preparando com contenções de despesas e achamos melhor, em conjunto com o prefeito, não realizar e decidimos incentivar os lançamentos de cantores locais. O Festibai era um projeto grande, de custo muito alto”, explica

Incentivo do Poder Público

De acordo com o presidente do poder legislativo do município, Roberto Protético, conforme a Lei das Diretrizes Orçamentárias do município, anualmente poderia ser investido cerca de um milhão de reais na cultura, de acordo com o que é arrecadado do município.A diretora da Fundesc, Jaqueline Raymundo, explica que os valores dos orçamentos anuais que são investidos sempre ficam em torno de 700 mil reais, em média.

“A gente faz um planejamento, um levantamento de custos, passamos para o prefeito, para que isso seja aprovado e colocamos no calendário. Tem eventos maiores, com custo maior, como no caso do ano passado, a gente teve oportunidade de trazer o Sérgio Reis, que é um artista a nível nacional e os valores aumentam. Enfim, todos os eventos que estão no nosso calendário é o que podemos realizar e a gente queria poder fazer mais, mas temos que cumprir as metas dentro deste orçamento. A gente faz o que pode”

Jaqueline destaca que anualmente para montar o calendário de eventos, são consultadas as entidades e organizações que trabalham com a cultura local, para que as ações e eventos sejam incluídos na programação anual, além de oferecer apoio para as iniciativas populares de cunho cultural.

Atualmente, por meio da prefeitura, são oferecidas oficinas gratuitas de teatro, canto, de instrumentos musicais com o apoio do 17º RC Mec, além das oficinas de artesanato, realizadas por meio da Casa do Artesão e aulas de crochê com o Projeto Criar.

Filme pretende resgatar a cultura regional

Com intuito de valorizar a cultura regional e resgatar os traços paraguaios, indígenas e gaúchos que formam a cultura do município, a atriz Alessandra Tavares trabalha em uma produção cinematográfica para a cidade.

“Eu escrevi um roteiro para o filme, que é um roteiro de ficção, para mostrar para o pessoal que está vindo das novas gerações, a nossa cultura, que infelizmente está se perdendo.”

De acordo com a atriz o filme mostrará um pouco de cada etnia e cultura que forma a diversidade cultural de Amambai.

“Nós como incentivadores da arte, da cultura regional, popular, a gente tem que continuar para não deixar se perder. Não podemos desistir nunca”, finaliza a atriz.

Professora de teatro Alessandra Tavares, á direita, orienta as alunas da Escola de Teatro de Amambai.

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