27/06/2012 11h07 – Atualizado em 27/06/2012 11h07
Fernanda Moreira / Da Redação
A Universidade Federal da Grande Dourados (UFGD) está há mais de um mês em greve, as aulas foram suspensas, pois os professores e funcionários administrativos reivindicam a reestruturação de carreiras e aumento do piso salarial. Essa reivindicação foi iniciada em todo Brasil e atualmente, 55 instituições federais de ensino aderiram à paralisação, deixando milhões de acadêmicos sem aula.
As reivindicações da categoria dos professores são antigas e se referem à reestruturação do plano de carreira dos docentes e melhores condições de trabalho. Os professores também reclamam do Programa de Apoio a Planos de Reestruturação e Expansão das Universidades Federais (Reuni), que, segundo eles, expandiu de forma improvisada o ensino superior público.
Amambai não conta com uma universidade federal, mas muitos jovens amambaienses cursam UFGD na cidade de Dourados e durante todo o tempo de paralisação, estão sem aulas, o que causa transtornos para os acadêmicos.
Para Luzia Aparecida de Moraes, acadêmica do 2º ano do curso de Pedagogia da UFGD, a paralisação atrapalha bastante a questão de conteúdo. “A greve prejudica os acadêmicos porque perdem as aulas, os trabalhos se acumulam, e depois? Com as aulas suspensas, até a formatura está comprometida, e o governo não está dando a devida atenção às reivindicações para que se tenha uma solução para todos”, reclama a acadêmica.
O aluno Raul Emmanuel, que cursa o 2º ano de Sistemas de Informação da instituição diz entender as reivindicações dos profissionais da UFGD, mas mesmo assim, sente-se prejudicado. “Apoio a posição dos profissionais diante das circunstâncias que o governo federal impõem aos mesmos, mas essa situação acaba prejudicando muito nós alunos, como o atraso no calendário escolar que, na faculdade, significa uma grande atraso nas expectativas. […] Quem vai se formar no final do ano, com a paralisação, é quase impossível isso acontecer”, comenta Raul.
Além do problema com a falta de aulas em si, outra preocupação dos acadêmicos é em relação ao transporte utilizado para ir até Dourados. Raul Emmanuel também comentou sobre o fato do pagamento das mensalidades à Associação de Acadêmicos de Dourados (Aunad), mesmo sem usufruir dos ônibus. “Mesmo com a paralisação das aulas, temos que continuar contribuindo e pagando a mensalidade do ônibus, aí também entra o fator financeiro, pois nós não sabemos quando as aulas serão retomadas, então, fica aquela expectativa de que a qualquer momento pode sair um desfecho”, diz.
Para a acadêmica Crislaine Venância, do 2º ano de Artes Cênicas da Universidade Federal da Grande Dourados, o problema maior é em relação ao conteúdo. “Realmente, a greve prejudica muito os acadêmicos, principalmente porque não se tem nenhuma informação de quando as aulas irão retornar, até o pessoal que fica animado por não ter aula, sabe que, quando voltarem à faculdade, estará mais difícil, com conteúdo acumulado. Tudo bem os professores reivindicarem um direito que é deles, mas isso está atrapalhando demais os alunos”, reclama Crislaine, e o acadêmico Raul Emmanuel completa dizendo que “o que adianta ficar sem fazer nada em casa agora durante a greve e, nas férias, quando muitos planejam viajar e curtir seu tempo, não poder viajar e ter que ficar recuperando todo tempo perdido”.
Posição da Aunad
Segundo a presidente da Aunad, Sônia Maria dos Santos a questão dos ônibus ainda está sendo resolvida, pois alguns alunos já pagaram a mensalidade do mês de junho, mas outros não. “O fato de eles estarem sem aula não muda o fato de eles precisarem do ônibus, então, não sabemos se eles vão continuar pagando agora ou irão pagar depois. Temos que esperar o que será resolvido pela universidade, pois com certeza, a greve acabando, os alunos não terão férias, eles vão utilizar os ônibus para irem para Dourados”, explica a presidente da associação.
A Aunad tem como associados, 44 acadêmicos que fazem curso na Universidade Federal da Grande Dourados (UFGD).

