28/10/2012 09h15 – Atualizado em 28/10/2012 09h15
Fonte: Planeta Sustentável
É possível que o mundo tire 100 por cento de sua energia de fontes renováveis até 2030, se houver vontade política para tanto.
Seriam necessários a construção de cerca de quatro milhões de turbinas eólicas de 5 MW, 1.7 bilhão de sistemas solares fotovoltaicos em telhados, e 90 mil plantas solares de 300 MW.
Mark Delucchi, um dos autores do estudo, publicado no Energy Policy, disse que os pesquisadores pretenderam demonstrar que a energia renovável pode estar disponível, e que ela supriria a demanda indefinidamente a partir de 2030.
Delucchi e seu colega Mark Jacobson deixaram fora dos cálculos fontes de combustíveis fósseis e se concentraram em fontes eólica, solar, ondas do mar e geotérmicas. Os combustíveis fósseis respondem no momento por 80 por cento do fornecimento mundial de energia. Eles também deixaram de fora a biomassa, atualmente a fonte de energia renovável mais disseminada, por conta de precupações com a poluição e questões de uso da terra, Os cálculos ignoraram ainda a geração nuclear de energia, no momento responsável por 6 por cento do fornecimento.
Para tornar possível o cenário, os investimentos seriam muito altos. As turbina eólicas, por exemplo, precisariam ter de duas a três vezes a capacidade das atuais, mas turbinas offshore de 5 MW foram construídas na Alemanha em 2006, e a China construiu sua primeira delas em 2010. As plantas solares teriam de ser um misto de fotovoltaicas e de energia solar concentrada – as que usam a energia para ferver água e impulsionar geradores. No momento, apenas existem uma meia dúzia de usinas com estas características. A energia seria obtida também de painéis fotovoltaicos montados na maioria das casas e edifícios.
Delucchi é da Universidade da Califórnia-Davis, e Jacobson da Universidade Stanford. Eles começaram a estudar a viabilidade técnica e financeira de converter 100 por cento da energia mundial em renovável em um artigo publicado pela Scientific American antes da conferência do clima de Copenhage, em 2009.
Os dois dizem que os principais recursos estão disponíveis, e que o único gargalo material está no fornecimento de materiais de terras raras, como o neodímio, usado frequentemente na fabricação de magnetos. O gargalo seria superado se a mineração fosse aumentada cinco vezes e se houvesse processos de reciclagem, ou se houvesse novas tecnologias que evitassem o uso de terras raras, mas os gargalos políticos podem ser intransponíveis, diz o Physorg.

