22/06/2013 11h04 – Atualizado em 22/06/2013 11h04
Fonte: João Henrique / Tribuna de Mato Grosso
No próximo dia vinte e quatro de junho celebramos o dia da natividade de São João Batista. É uma data especial pela importância de São João Batista para o cristianismo, como precursor do Messias, e também pelo seu valor na tradição cultural brasileira – Festa de São João, quadrilha, fogueira, etc – e, de modo especial, pelo fato de que este santo é padroeiro da cidade de Rondonópolis.
Mas o que significa isso? Qual o sentido de se ter São João Batista como padroeiro? Simplesmente o resquício folclórico do passado, quando as pessoas eram, em sua maioria cristãs? Seria apenas para encontrar uma data para a instituição de um feriado municipal?
Para a fé católica, um santo não é um ser divino, e muito menos alguém que possa ocupar o lugar e o senhorio de Cristo. Todavia, esta mesma fé reconhece que os santos não foram homens quaisquer. Os santos foram pessoas virtuosas, inflamadas no amor a Cristo e ao próximo, pessoas que fizeram de sua vida uma autêntica existência cristã. O padroeiro é um santo escolhido como protetor, intercessor, alguém cuja vida nos traz uma mensagem que nos mostra o caminho a seguir, um exemplo no seguimento de Cristo.
João Batista foi o precursor de Jesus. Seus pais, Zacarias, um servidor do templo, e Isabel, prima de Maria, eram bastante avançados em idade e não tinham mais esperança de ter filhos. Então, quando lhes foi anunciada, por um anjo, a concepção de João Batista, quase nem acreditaram em tamanha graça. Inspirado pelo Espírito Santo, Zacarias disse de seu filho: “Serás profeta do Altíssimo, ó menino, pois irás andando à frente do Senhor, para aplainar e preparar os seus caminhos, anunciando ao seu povo a Salvação, que está na remissão de seus pecados” (Lc 1, 76-77). Ele é o único santo, além da Virgem Maria, do qual a Igreja lembra solenemente o nascimento, isso porque a sua missão está estreitamente relacionada à missão de Cristo; João foi incumbido da missão de preparar o caminho para a vinda de Jesus, fazer a ponte entre o Antigo Testamento e a realização de suas promessas na pessoa de Cristo. “Eis o Cordeiro de Deus” (Jo 1,36), disse ele apontando Jesus aos primeiros discípulos.
Seu nome, João, significa no hebraico “enviado por Deus”, e o cognome “Batista” lhe foi dado porque era sua marca pregar a conversão e o batismo para o perdão dos pecados. Homem de virtuosa humildade, certa vez alguns de seus discípulos vieram ter com ele dizendo: “Mestre, aquele que estava contigo no Jordão (Jesus) , e do qual destes testemunho, agora está batizando e todos vão a ele” (Jo 3,26), e João em resposta disse-lhes: “Importa que Ele (Jesus) cresça, e eu diminua” (Jo 3,30). O próprio Jesus disse a respeito de João Batista: “O que foram ver no deserto? Um caniço agitado pelo vento? O que vocês foram ver? Um homem vestido com roupas finas? Mas aqueles que vestem roupas finas moram em palácios de reis. Então o que foram ver? Um profeta? Eu lhes afirmo que sim, alguém que é maior que um profeta. Eu garanto a vocês, de todos os homens que já nasceram, nenhum é maior que João Batista”(Mt 11, 8-9.11).
Sua excelência moral o levava a pregar sem temor a conversão e o advento do Reino de Deus a todos, inclusive aos homens mais poderosos e influentes, como os fariseus, os saduceus e os reis. Por este motivo foi preso e condenado à morte por decapitação.
Depois de ver apenas alguns elementos da vida deste santo homem, poderíamos então nos perguntar mais uma vez: Tem algum sentido festejarmos São João Batista como padroeiro de Rondonópolis?
Não nos enganemos. João Batista disse aos homens de seu tempo: “Raça de víboras! Quem lhes ensinou a fugir da ira que vai chegar? Façam coisas para provar que vocês se converteram, e não comecem a pensar: ‘Abraão é nosso pai’, pois eu lhes digo: até destas pedras Deus é capaz de fazer filhos de Abraão” (Lc 3,7-8). Parafraseando as palavras do próprio João Batista, podemos dizer: Façamos coisas que provem a nossa conversão! Pois não basta dizer “São João Batista é o nosso padroeiro”, pois até mesmo o homem mais cruel, injusto, egoísta, pode dizer isso.
Somente tem sentido proclamarmos São João Batista como nosso padroeiro se deixarmos que suas palavras, que exortam à conversão e à fé, ecoem em nossos corações; se fizermos de sua humildade o nosso ideal de vida; se formos, como ele, destemidos anunciadores de Cristo, do Reino de Deus e da justiça; se sua mensagem permear e moldar os rumos desta cidade. Caso contrário, o dia de São João Batista, ao invés de ícone de um ideal a ser seguido pelos cidadãos e governantes desta cidade, continuará a ser apenas mais um feriado, destes que as pessoas nem sabem por que existem, mas pelo qual se alegram apenas pelo fato de não terem nada para fazer.
Que neste dia vinte quatro de junho possamos alegrar-nos por termos tão grande homem como padroeiro e intercessor da nossa cidade, e que, convictos na nossa fé possamos com toda a Igreja dizer, não somente com palavras, mas também com nosso testemunho: “Viva São João Batista”!
(*) João Henrique é seminarista diocesano

