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sábado, 9 de maio de 2026

Amazônia pode virar um grande deserto, alerta físico Marcelo Gleiser

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06/08/2013 11h16 – Atualizado em 06/08/2013 11h16

Amazônia pode virar um grande deserto, alerta físico Marcelo Gleiser

Fonte: Jornal Meio Ambiente

Manaus – Em Manaus pela primeira vez, o físico e astrônomo Marcelo Gleiser contou que se sentiu abraçado pelo calor da cidade assim que pisou na capital do Amazonas. “Aqui a natureza corre solta”, disse o cientista de renome internacional. Ele afirmou que “na Amazônia há uma imperfeição explosivamente criativa”, fazendo referência ao último livro que publicou, intitulado ‘Criação imperfeita’. Na obra, Gleiser relata que a “quase perfeição” da natureza é fundamental e possibilita adaptações.

Gleiser divulga o campo científico de forma didática desde 1997. O carioca defende que a ciência seja acessível e uma propriedade de todo cidadão. Ele é professor titular de física e astronomia no Dartmouth College, nos Estados Unidos da América, membro da Academia Brasileira de Filosofia. O pesquisador é autor de sete livros, assim como de séries televisivas sobre divulgação científica no Brasil, Estados Unidos e Inglaterra.

Em entrevista ao portalamazonia.com, Marcelo Gleiser a abordou a cultura indígena e sua relação com astronomia, a visão que os outros países têm da Amazônia e ameaças à região amazônica que podem acabar com os recursos naturais.

Portal Amazônia – Qual a maior ameaça à Amazônia?

Marcelo Gleiser – A Amazônia é um lugar bem protegido. Mas a pior ameaça não é natural. A maior ameaça da Amazônia é o homem. A grande vantagem da Amazônia é que tem muita água, muito verde e isso é precioso. É preciso de educação. Um projeto para reeducar as pessoas, dar condições para que eles entendam e possam sobreviver de uma meneira digna. Tudo acaba, mesmo que seja grande. Os Estados Unidos, há 300 anos, era uma grande floresta. Hoje não tem quase mais nada. E isso pode acontecer aqui também.

A Amazônia pode virar um grande deserto, uma grande caatinga. Todo mundo acha que se teve seca na Amazônia ou se choveu mais forte, é culpa do aquecimento global. Esse processo existe, mas é muito lento. Naturalmente é uma coisa que vai acontecendendo aos poucos, são anos e anos e anos. É muito difícil dizer que um furacão ou outro fenômeno é fruto do aquecimento global.

Mas o que, de prático, vem acontecendo na Amazônia com o aquecimento global?

As últimas duas décadas foram os anos mais quentes dos últimos 150 anos. Há um aumento pequeno de temperatura na Terra e a composição da atmosfera está mudando. Temos muito mais gás metano e gás carbônico, gases poluentes que ajudam o aquecimento global e efeito estufa. É possível que exista um ciclo natural de aquecimento, só que pra fazer a distinção, se faz uma correlação entre os dados científicos com os da produção industrial. É uma correlação perfeita. É óbvio que tá acontencendo uma transforação da atmosfera devido a ação humana e é fundamental que a geração mais jovem se conscientize disso e faça alguma coisa. Mesmo aqui na Amazônia, que tem água e verde em abundância.

É possível aliar conhecimentos tradicionais com o conhecimento científico relacionando, assim, cosmologia indígena e astronomia?

Estudei os mitos de criação dos Ianomami, há um tempo atrás, quando estava interessado nas várias narrativas de criação das diferentes culturas. Achei interessante que cada uma delas se apropria da natureza que tem. Na Nova Zelândia, os Maori falam muito de uma ilha cercada por todos os lados, que é onde eles moram; no deserto do Arizona e Novo México, nos Estados Unidos, tem muita lama, então os índios Hopi, falam muito da criação do mundo, através dos deuses, mexendo com a lama e dando forma à vida. Bem parecido com o Antigo Testamento [do cristianismo].

Os Ianomami falam muito da vida vindo de cima das árvores, que pra eles é de lá que vinha tudo. Isso é muito interessante. Recebi um convite e estou louco para ir para Roraima conversar com os índios de lá sobre astronomia. É válido fazer a relação. Não acho que vamos usar essas culturas para entender o universo, mas certamente entenderemos a amplidão do conhecimento e criatividade humana.

De que forma os cientistas estrangeiros enxergam a Amazônia?

Tem o lado do mistério, do fascínio pela grande floresta tão inexplorada, mas também tem o lado econômico, da crítica de cortar muita madeira, o desmatamento. Como os Estados Unidos foram desmatados completamente, há uma crítica muito grande sem entender a dinâmica e como funciona isso aqui. É mais o ‘ah!, é o pulmão do mundo, temos que preservar’, mas tem o fascínio pela fauna e pela flora, que precisaria ser explorado muito mais, mas com cuidado.

É viável desenvolver a Amazônia mantendo a floresta intacta?

Tem que se aliar desenvolvimento com preservação de uma maneira inteligente, senão viramos parasita. Achamos que somos a espécie inteligente, então se somos mesmo, não podemos dar um chute e destruir a casa que nos abriga. Qualquer tipo de industrialização ou exploração da madeira, frutas ou o que for, tem que ser feita com muita inteligencia porque ela [a Amazônia] é grande, mas acaba.

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