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sábado, 9 de maio de 2026

Filósofo reflete sobre política com acadêmicos da UEMS de Amambai

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14/03/2014 23h06 – Atualizado em 14/03/2014 23h06

Filósofo reflete sobre a política que temos e a que precisamos com acadêmicos da UEMS de Amambai

Fonte: Da Redação

A reflexão sobre a política que temos e a política que precisamos, a partir de princípios éticos, foi o objetivo do professor, Mestre e Doutor em Filosofia, José Luiz Ames, em palestra realizada na unidade de Amambai da UEMS (Universidade Estadual de Mato Grosso do Sul) nesta quinta-feira (13).

O evento marcou a aula inaugural do ano letivo de 2014 dos cursos de Ciências Sociais e de História, ambos oferecidos pela UEMS em Amambai. José Luiz Ames é professor associado da Universidade Estadual do Oeste do Paraná, lecionando atualmente no campus Toledo.

Na abertura do evento, compuseram a mesa oficial a gerente da unidade, Viviane Scalon Fachin, o coordenador do curso de Ciências Sociais, Fabricio Deffacci, o professor de Administração na Uniesp-Fiama (União Nacional das Instituições de Ensino Superior Privadas/Faculdades Integradas de Amambai), Vitor Hugo Rinaldini Guidotti, e o professor do curso de História, Jocimar Lomba Albanez.

A política hoje

Uma política feitichizada, onde os representantes políticos mandam mandando. Uma política de dominação, onde a fonte do poder está no representante político e não na comunidade. Uma política onde os que estão cumprindo algum mandato tem o poder como posse e não como exercício. Pessoas que vivem da política que usam a política como profissão. Esse é o quadro atual da política.

A política que precisamos

Políticos por vocação, que vivem para a política (e não da política), um político que manda obedecendo àquela comunidade que delegou a ele o poder. Políticos que mandam escutando a comunidade política, que é a fonte do poder, dando satisfação a ela. Uma política que proponha ações realizáveis, sem falsas promessas, e que implemente propostas consensuais, mas que promova a inclusão dos que não foram consensos. Uma política que se oriente democraticamente. Esta é, na opinião do palestrante, a política que precisamos.

Roteiro da reflexão

Para apresentar ao público, a maioria formada pelos acadêmicos – veteranos e calouros – dos cursos de Ciências Sociais e de História, suas conclusões sobre o tema, José Luiz Ames conceituou inicialmente Potência e Potestas, partindo da premissa que a comunidade é a fonte do poder. “Poder não se pode conquistar, se conquista as ferramentas para se ter o poder, que são os cargos políticos, por exemplo”, disse ele.

O palestrante explicou que por Potência entende-se a comunidade, quem tem o poder de fato, e por Potestas, palavra latina que significa o nível do exercício do poder (delegado pela Potência).

E, segundo o filósofo, é a cisão entre Potência e Potesta, entre quem tem o poder e quem o exerce, que determina a ética na política. “A comunidade política, a Potência, tem o poder, mas não o exerce; ele é delegado pela Potência ao Potesta.”

Referências

José Luiz Ames citou como referência para seu trabalho e pesquisa o filósofo argentino, exilado desde 1975 no México, Enrique Dussel, O filósofo é um dos maiores expoentes da Filosofia da Libertação e do pensamento latino-americano em geral e autor de uma grande quantidade de obras, seu pensamento discorre sobre temas como: filosofia, política, ética e teologia.

Ames recorreu durante sua palestra ao latim justificando o significado original de certas palavras, como o verbo Obedecer, que significa obediência, ouvindo o outro. “Quem exerce o poder deve ser obediente, deve exercer o poder ouvindo as necessidades, as reivindicações (…) o poder por vocação manda obedecendo”, explicou. Também explicou a origem da palavra autoridade, que significa ser autorizado por alguém a ter poder.

A feitichização do poder

O palestrante também fez referência ao alemão Max Weber (1864 – 1920); sociólogo, jurista, historiador e economista, considerado um dos fundadores do estudo sociológico moderno. Seus estudos mais importantes estão nas áreas da sociologia da religião, sociologia política, administração pública (governo) e economia.

Segundo Weber, deve-se fazer a diferenciação entre a política como vocação – viver para a política, como missão, como resposta ao chamado – e a política como profissão – atividade burocrática exercida por aquele que vive da política. A feitichização da política é justamente o viver da política; é a inversão dos papeis, a desconectização entre Potência e Potesta; é a reverência a uma situação inventada pelo homem.

“Como se pode perceber se o poder exercido pelos nossos representantes (potestas) é feitichizado?”, indagou o filósofo. Segundo ele, várias são as interpretações; sendo a (possibilidade de) reeleição uma delas, já que o representante passa a viver da política e não para a política. Outras: quando o exercício do poder é feito com ações voltadas a parcelas da comunidade, seus apoiadores, por exemplo; quando o representante político quer ser recompensado com benefícios para si próprio; e quando existe a disputa interna dos partidos para a indicação de cargos, entre outros.

José Luiz Ames instigou ainda os acadêmicos afirmando que “a novidade histórica não está no consenso e sim no dissenso (…) consenso nunca é unanimidade (…) a oposição é salutar (…) a decisão é uma cisão (…) a votação é sempre a interrupção de um debate”.

Para o coordenador do curso de Ciências Sociais da UEMS, a palestra possibilita a organização e reflexão sobre a temática. “A explanação do professor Ames contribui com a sistematização do pensamento acerca da política”, falou ao final Fabrício Deffacci.

Sobre o palestrante

José Luiz Ames tem graduação em Filosofia e Estudos Sociais (1982), mestrado em Filosofia pela PUC-RS (Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul) em 1987 e doutorado em Filosofia pela Unicamp (Universidade Estadual de Campinas) em 2000. Publicou diversos artigos em periódicos especializados e trabalhos em anuais de eventos.

Possui vários capítulos de livros e dois livros publicados. Orientou inúmeros trabalhos de iniciação científica, trabalhos de conclusão de curso de graduação, monografias de curso de especialização e dissertações de Mestrado na área de Filosofia.

Tem na Filosofia Política sua área principal de investigação e de produção acadêmica, atuante na área de Filosofia, com ênfase em Filosofia Política Moderna. Atualmente coordena um projeto de pesquisa sobre “Poder, política e legitimidade em Maquiavel e no contratualismo político moderno”.

É pesquisador bolsista produtividade do CNPq, avaliador externo de cursos de graduação e avaliador externo de Instituições de Ensino Superior do INEP (Instituto Nacional da Educação Pública) desde 2002. Foi Diretor do Campus, Chefe do Departamento de Filosofia, Coordenador de Ensino do Campus, Chefe do Grupo de Planejamento e Controle, primeiro coordenador do curso de Mestrado em Filosofia da Unioeste.

José Luiz Ames instigou ainda os acadêmicos afirmando que “a novidade histórica não está no consenso e sim no dissenso (...) consenso nunca é unanimidade (...) a oposição é salutar (...).

José Luiz Ames tem graduação em Filosofia e Estudos Sociais (1982), mestrado em Filosofia pela PUC-RS (Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul) em 1987 e doutorado em Filosofia pela Unicamp (Universidade Estadual de Campinas) em 2000.

Participaram da palestra os acadêmicos – veteranos e calouros - dos cursos de Ciências Sociais e de História.

O coordenador do curso de Ciências Sociais, Fabricio Deffacci, e o palestrante.

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