Primeiro-ministro egípcio anuncia renúncia do governo; protestos continuam
O primeiro-ministro egípcio, Ahmed Nazif, anunciou na manhã deste sábado (29) a renúncia do governo em cumprimento a um pedido feito na noite desta sexta-feira (28) pelo presidente Hosni Mubarak, que pretende formar um novo gabinete.
Ontem à noite, Mubarak, que está no poder há 30 anos, surpreendeu a população com um discurso no qual falou sobre diversos temas, menos sobre sua renúncia, exigida pela oposição em protestos violentos que tomam a capital desde terça-feira.
O compromisso firmado por ele de mudar o governo não tirou a população das ruas no início deste sábado. Centenas de egípcios ocupavam o centro da capital Cairo, especialmente a praça Tahrir, que foi tomada pelo Exército depois dos violentos distúrbios desta sexta-feira.
O chefe da Anistia Internacional, Salil Chetty, disse que a decisão de Mubarak de dissolver o gabinete não deve amenizar os protestos e classificou a medida como “uma piada”. “As pessoas estão dizendo com muita clareza que querem uma mudança fundamental, uma mudança constitucional”, disse.
Egito
Distúrbios e mortes
Neste sábado, tanques das Forças Armadas do país estão posicionados em pontos chave da cidade, os arredores do Museu Egípcio, a sede do Partido Nacional Democrático, de onde ainda sai fumaça após o incêndio iniciado na noite de sexta, e a emissora de televisão pública egípcia, que manifestantes tentaram invadir ontem sem sucesso.
Na praça Tahrir (Libertação, em árabe), epicentro dos protestos dos últimos dias, centenas de pessoas, em sua maioria homens jovens, seguiam presentes após uma noite acordadas e dialogavam com os soldados.
Os violentos confrontos no país deixaram ao menos 35 mortos, inclusive dez policiais, de acordo com as autoridades egípcias. No entanto, uma fonte do hospital El Damardash, no centro do Cairo, informou que trinta corpos chegaram no local nesta sexta-feira, entre eles duas crianças. Na cidade de Alexandria, 23 teriam morrido nos protestos. Um funcionário do Ministério da Saúde ouvido pela AFP também afirmou que já são 38 mortos.
O centro do Cairo amanheceu neste sábado com claros sinais dos distúrbios da véspera. Na praça Abdel Menem Riad, onde na sexta-feira morreram quatro pessoas, dois microônibus e uma caminhonete da Polícia estavam carbonizados. Também nos arredores do Museu Egípcio, que conserva as relíquias arqueológicas mais importantes do país, e na avenida Ramsés, pelo menos meia dúzia de veículos, um tanque e uma viatura policial estavam queimados.
Outras zonas da cidade também mostravam sinais da violência, dos saques e dos incêndios da noite de ontem, como a avenida Al Haram, que leva às pirâmides de Giza e que amanheceu cercada por militares e grupos de jovens.
Após protestos, Mubarak anuncia que formará novo governo no Egito
Obama pede a Mubarak que libere imediatamente acesso a internet e telefones no Egito.
Entre os estabelecimentos saqueados estão os cassinos Al Lail e El Andalus e o hotel Europa, enquanto uma delegacia restaurada recentemente havia sido incendiada. Além disso, centenas de pessoas aguardavam pelos meios de transporte público diante da falta de ônibus.
Na praça de Giza, a principal dessa região, podia ser vista uma fila de oito caminhões das forças antidistúrbios incendiados.
Comunicação
As comunicações por telefonia celular, bloqueadas desde a manhã de sexta-feira, começaram a ser restabelecidas pouco depois das 10h da hora local (6h de Brasília), segundo comprovou a EFE. Os telefones celulares, que foram essenciais para articular os protestos nos dias anteriores, ficaram sem operar durante toda a sexta-feira, quando dezenas de milhares de egípcios saíram às ruas para pedir a renúncia do presidente Hosni Mubarak.
Ontem, o presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, disse que telefonou para Mubarak e pediu para que seja liberado imediatamente o acesso a internet e telefones no Egito.
Obama fez um apelo para que seu colega tome medidas concretas que levem às promessas de maior liberdade e democracia ao povo egípcio feitas minutos antes.
Fonte: UOL

