19/04/2013 10h09 – Atualizado em 19/04/2013 10h09
Fonte: Da Assessoria
No Dia do Índio, 19 de abril, temos poucos motivos para comemorações, afinal de contas Mato Grosso do Sul está sendo conhecido cada vez mais como o Estado onde acontecem às maiores barbaridades contra os nossos irmãos indígenas, por isso nessa data em que os olhos da sociedade se voltam para essa questão a Fetems (Federação dos Trabalhadores em Educação de Mato Grosso do Sul) vem publicamente manifestar a sua indignação e a sua solidariedade com todos os indígenas de nosso Estado.
Muitos foram os casos de assassinato, de abuso sexual, de descaso do poder público, de falta de condições básicas como saúde, moradia, educação de qualidade, que nós cidadãos e cidadãs nem ficamos sabendo, pois muitos desses acontecimentos não são publicados pela mídia brasileira, mas estão ai, acontecendo no dia a dia, dentro das nossas aldeias.
Poderíamos usar vários exemplos, mas vamos ressaltar nesta nota pública o caso de um indígena, que com certeza é uma exceção, pois teve acesso à educação, Wanderley Dias Cardoso, é um índio Terena, da comunidade Bananal de Aquidauana, possui título de Doutorado em História pela PUC/RS (Pontifícia Universidade Católica) do Rio Grande do Sul, mas não consegue aulas na unidade escolar da Rede Municipal de Ensino instalada em sua aldeia. Segundo apurado junto a moradores da aldeia, o provável motivo seria político, já que o professor teria apoiado um político adversário do atual prefeito e foi candidato a vereador na chapa contrária.
A Constituição Brasileira deixa claro que vivemos em um país democrático e somos livres para termos a nossa opção política partidária e enquanto muitos professores que não possuem título algum estão dentro das salas de aula da aldeia Bananal, Wanderley Dias, doutor, está fora das Escolas, pois fez a sua escolha política.
Indignados com essa situação de injustiça cobramos providências do poder público municipal de Aquidauana urgentemente, pois o professor Wanderley está passando por sérias dificuldades já que está desempregado, vivendo apenas com o salário de sua companheira, que também é professora na aldeia.
Ressaltamos que este importante educador foi reconhecido em nível nacional pela CNTE (Confederação Nacional dos Trabalhadores em Educação) e irá representar os índios brasileiros em um evento internacional da IEL (Internacional da Educação), que acontece no Peru, no próximo dia 15 de maio.
Afirmamos aqui o nosso apoio aos “Wanderleys” que estão espalhados nas nossas aldeias indígenas a mercê de um poder público na maioria das vezes inerte, aguardando a tão sonhada demarcação de terras indígenas e lutando dia a dia pelo respeito a sua cultura, a sua crença e ao seu povo, tão sofrido pela vida injusta que o homem branco impõe a eles.
Nós sonhamos com um Mato Grosso do Sul mais justo e igualitário, que respeite as diferenças de credo, raça e cor. Que respeite as nossas comunidades indígenas e que viva em paz.
Encerramos lembrando o eterno Marçal de Souza de que dizia: “Não queremos emancipação, nem integração. Queremos o nosso direito de viver. Jamais o branco compreenderá o índio. Queremos ser um povo livre como antigamente. O índio está cercado, amordaçado por uma democracia que não funciona. Por isso nós vamos a campo”.

