02/05/2013 15h35 – Atualizado em 02/05/2013 15h35
Questão racial no Brasil e no mundo é tema de exposição na Biblioteca Isaías Paim
Fonte: Notícias MS
Campo Grande (MS) – A Fundação de Cultura do Governo de Mato Grosso do Sul realiza na Biblioteca Pública Estadual Dr. Isaías Paim, a partir de 6 de maio, às 8 horas, exposição literária com obras históricas, biográficas e literárias sobre grandes figuras da cultura afrodescendente no Brasil e no mundo. No momento em que se discutem políticas de ação afirmativa é importante lembrar que os negros contribuíram não somente nos aspectos cultural, esportivo, gastronômico e religioso, mas principalmente na formação político-social de nosso País.
Um dos exemplos disso é o atual presidente do Supremo Tribunal Federal, Joaquim Barbosa, primeiro afrodescendente a presidir a corte constitucional brasileira e escolhido pela revista norte-americana Time como uma das cem pessoas mais influentes no mundo em 2012. O ex-ministro da cultura, Gilberto Gil, uma das maiores personalidades da música brasileira, reconhecido mundialmente, é outro exemplo, além de Édson Arantes do Nascimento, conhecido em todo o mundo como Rei Pelé, eleito pelo jornal francês L’Equipe como o Atleta do Século XX.
Dentre os livros que estarão expostos há duas obras basilares sobre o estudo da questão racial como “Casa Grande & Senzala” e “Sobrados e Mucambos”, do sociólogo e historiador social Gilberto Freyre; um trabalho pioneiro da professora da UFMS e antropóloga Ana Lúcia Farah Valente; do geógrafo Milton Santos, um negro baiano, de origem humilde, professor emérito da USP, autor de diversos livros e artigos científicos na sua área; uma obra ensaística de Arthur Ramos, fundador da pesquisa antropológica no Brasil, publicada pela primeira vez em 1934; um “Estudo sobre a escravidão no país”, feita pelo historiador Roberto Guedes.
Outro trabalho relevante é “Os Infames da história” da historiadora Lilia Ferreira Lobo, que traça um paralelo entre a pobreza e a escravidão para explicar os estudos genealógicos que colocam estes fatores como produtos de nossa deficiência, bem como os livros “Reflexões sobre o Racismo” do filósofo francês Jean-Paul Sartre e “Racismo em Mente”, uma coletânea de textos que traz à luz um assunto tão presente ainda em nossa sociedade.
Estudos sobre a questão do racismo no Brasil são apresentados em livros organizados por Luciana Jaccoud e por Mário Theodoro, como “A Construção de uma Política de Promoção da Igualdade Racial: uma análise dos últimos 20 anos” e “As políticas públicas e a desigualdade racial no Brasil – 120 anos após a abolição”. Tem ainda um manual de “Identificação e Abordagem do Racismo Institucional”, criado como uma metodologia de combate ao racismo institucional no setor público e “Um olhar negro sobre o Brasil” que trata de um racismo local, o racismo brasileiro e um guia sobre “Consciência Negra do Brasil”, sobre os principais livros que tratam da questão racial no País e um estudo sobre cultos afro-brasileiros, em especial a Umbanda, desenvolvido pelo sociólogo e professor Renato Ortiz, da Unicamp.
Estará em exposição o livro sobre o Museu Afro Brasil, com o acervo todo dedicado à cultura afro-brasileira nas artes plásticas e visuais, bem como material produzido pelo próprio museu como os dedicados a Theodoro Sampaio, o sábio negro entre os brancos e sobre José do Patrocínio, um afro-brasileiro que encabeçou a grande luta abolicionista e participou ativamente da vida cultural brasileira como escritor, poeta, jornalista e inventor. Outro livro que chama a atenção é “O negro na fotografia brasileira do século XIX,” uma pesquisa histórica e fotográfica de George Ermakoff.
Dentre as biografias em exposição temos na música o divino mestre Cartola, Pixinguinha sobre o compositor de “Carinhoso”, Nelson Cavaquinho, o violão carioca; Paulo Moura, um solo brasileiro; “Heitor dos Prazeres, sua arte e seu tempo”, sobre um artista negro do início do século cujos sambas e marchinhas alcançaram projeção nacional; as músicas do cantor e compositor Djavan; os livros que retratam a vida de Tim Maia, escrito por Nélson Motta e Os Sonhos não envelhecem, de Márcio Borges, irmão do Lô Borges e que fala sobre o cantor e compositor mineiro Milton Nascimento e seus companheiros do Clube da Esquina.
No cinema e na televisão temos Grande Otelo; no esporte, Pelé, a estrela negra em campos verdes, sobre o maior jogador de futebol de todos os tempos e na literatura tem Machado de Assis com as obras completas do maior escritor brasileiro e do poeta do desterro; o simbolista Cruz e Souza; “A vida de Lima Barreto” cujo livro, Clara dos Anjos, trata da questão racial e suas consequências e Castro Alves, a biografia do grande poeta baiano.
Dentre os grandes líderes negros no mundo há o livro sobre Mandela, prefaciado por Kofi Annan e com introdução do arcebispo sul-africano Desmond Tutu e do grande líder pacifista Martin Luther King, assassinado pela luta ao direito dos negros nos Estados Unidos.

