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segunda-feira, 11 de maio de 2026

Um poema rompe o asfalto: Carlos Drummond de Andrade e a esperança poética

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12/05/2013 11h00 – Atualizado em 12/05/2013 11h00

Fonte: Literatortura

A Flor e a Náusea, poema de Drummond publicado em seu livro A rosa do Povo ( 1945) , pode soar como uma confissão de impotência a esse mundo moderno, falido. Contudo, percebo esse poema como uma das mais belas canções de esperança da poesia brasileira, anuncia o poeta: “Uma flor nasceu na rua!”, e é como se ele quisesse afirmar “um poema nasceu” um poema que surge mesmo com bem pouco motivos para.

Símbolo extremo da beleza que macula a indifereça cinza do mundo, o poema torna o mundo menos cru do que realmente é, por isso ordena Drummond a todas as coisas banais do cotidiano, bondes, ônibus, polícia, negócios, que se afastem, evitando sufocar esse sinal de beleza que existe/resiste.

Nosso Drummond, poeta de tantas faces, mesmo quase imperceptível, não esconde que também possui uma face de esperança no ambíguo ser humano, capaz de tantas atrocidade, ao mesmo tempo capaz de fazer o extremo belo, como em uma música de Bach, um quadro de Van Gogh, um Balé de Pina Bausch, um Shakespeare, um Patativa.

Carlos Drummond de Andrade nasceu em Itabira, no ano de 1902, foi expulso da escola na juventude, trabalhou em jornais, formou-se na escola de Odontologia e Farmácia, trabalhou no Ministério da Educação, abalou o nosso país e dividiu opiniões da crítica literária ao publicar o polêmico poema “no meio do caminho” de 1928.

Um Drummond em volta com o existencialismo, denunciador da condição humana, é esse o Drummond que estamos acotumados a ler e ver, apresentado por vários críticos literários, mas hoje, aqui no A Hora do Poema, quero apresentar um outro Drummond, um Drummond esperançoso, que fura o tédio da vida com a beleza de um poema.

Uma flor nasceu na rua!

Passem de longe, bondes, ônibus, rio de aço do tráfego.

Uma flor ainda desbotada

ilude a polícia, rompe o asfalto.

Façam completo silêncio,

paralisem os negócios,

garanto que uma flor nasceu.

Sua cor não se percebe.

Suas pétalas não se abrem.

Seu nome não está nos livros.

É feia. Mas é realmente uma flor.

(Trecho de A flor e a Náusea)

Um poema rompe o asfalto: Carlos Drummond de Andrade e a esperança poética

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